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Cesta básica sorocabana corresponde a quase 92% do salário mínimo

Atualmente, a cesta custa R$ 1.115,62 na cidade, enquanto o salário mínimo é de R$ 1.212

O preço da cesta básica em Sorocaba corresponde, atualmente, a quase 92% do salário mínimo. Em julho, a cesta passou a custar R$ 1.115,62 na cidade, enquanto o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.212. A cesta sorocabana voltou a subir 2,59% no mês passado, após queda de 2,30% em junho. Dos 34 itens que a compõe, 29 aumentaram no sétimo mês do ano. Os dados são de pesquisa desenvolvida mensalmente pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LCSA) da Universidade de Sorocaba (Uniso).

A alta tem-se mantido durante quase todo o ano na cidade. A cesta começou 2022 com estabilidade em janeiro, no comparativo com dezembro de 2021 (-0,01%). Em fevereiro, também teve leve baixa (-1,04%). Em março e abril, porém, apresentou elevações expressivas, de 5,32% e 5,23%, respectivamente. Em maio, o aumento continuou, mas em ritmo menor (2,75%). Já em junho, o preço recuou 2,30%, voltando a subir em julho.

No mês passado, o resultado ficou mais de dois pontos percentuais acima da inflação oficial. Isso porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fechou o mês com aceleração de 0,13%. No ano, até o momento, a alta acumulada chega a 12,93%.

Os três grupos da cesta básica sofreram elevação em julho. A categoria de higiene pessoal teve a maior variação (10,25%), seguida por limpeza (5,91%) e alimentação (1,78%).

Principais vilões

Apesar do grupo alimentos ter sido o que menos acelerou, quatro itens estão entre cinco com maiores altas no mês. Por outro lado, embora a categoria higiene pessoal lidere o aumento, apenas um produto está nessa lista. A muçarela fatiada registrou o encarecimento mais acentuado, de R$ 45,33 (o quilo) em junho para R$ 57,50 em julho (26,85%).

Depois, vem o leite longa vida, de R$ 5,27 (o litro) para R$ 3,97 (25,62%). Em seguida, aparece o creme dental, de R$ 3,31 (90 gramas) para R$ 6,62 (19,94%). As duas posições seguintes são ocupadas por frango, de R$ 9,10 para R$ 10,76 (18,24%); e alho, de R$ 5,22 (200 gramas) para R$ 6,16 (18,01%).

Queda

Já os cinco itens com as maiores quedas são alimentos. Em primeiro lugar, está a batata, de R$ 6,81 (o kg) para R$ 6,26 (-8,08). Na sequência, carne de segunda, de R$ 32,98 (kg) para R$ 32,34 (-1,94%); óleo de soja, de R$ 10,21 (900ml) para R$ 10,02 (1,86%); e carne de primeira, de R$ 47,09 (kg) para R$ 46,89 (-0,42%). O açúcar refinado ficou em quinto lugar, passando de R$ 4,36 (pacote de 500 g) para R$ 4,35 (-0,23%).

Leite e frango puxaram alta

Segundo o economista e professor Marcos Canhada, coordenador do estudo, a alta foi puxada, principalmente, pelo leite e frango. Ele explica que os dois itens têm grande peso na composição do preço geral da cesta, pois são amplamente consumidos. Assim, os valores deles impactam diretamente na subida ou recuo da cesta básica.

Conforme Canhada, hoje, os preços de ambos estão altos porque a produção foi prejudicada pelo inverno. O especialista diz que fatores externos também contribuem para essa aceleração dos preços. No caso do leite, por exemplo, pela falta de pastagens, as vacas precisam ser alimentadas nos confinamentos, o que faz o preço da produção subir.

“A guerra na Ucrânia, por exemplo, acaba elevando o preço do milho e fertilizantes que são utilizados na alimentação dos animais produtores”, disse. Os valores desses alimentos, informa Canhada, são sazonais, isto é, variam frequentemente, de acordo, sobretudo, com a estação. Por isso, com o fim do inverno e o retorno da produção regular, tendem a cair. Isso pode contribuir para a cesta baixar também. “A curva está mostrando um arrefecimento, uma tendência de queda nos próximos meses, mas não podemos afirmar que vai cair”, destaca.


Lei da oferta e demanda

A lei da oferta e demanda, igualmente, influencia no custo da cesta básica, segundo Canhada. Conforme detalhou, quando o produto é abundantemente comercializado, o fabricante tende a aumentar os preços. Já, se as vendas retrocederem, haverá acúmulo de estoques. Dessa forma, o produtor terá mais itens para ofertar e, assim, reduzirá o valor. Por isso, Canhada orienta o consumidor a substituir a marca ou a própria mercadoria quando os preços estiverem altos. “O consumidor tem papel importantíssimo nesse aspecto (de diminuição de valores), porque ele consegue ajustar o preço por meio de seu comportamento”, frisou.


Consumidores já sabem

Consumidores já sabem e até colocam essa dica em prática na hora das compras. “Tem de comprar menos para forçá-los a vender mais barato, porque fica sobrando”, aconselhou a aposentada Marli Cleis, de 65 anos. Ela contou ter adotado essa tática após notar aumento em todos os itens, não só naqueles da cesta. “Do jeito que a situação está, eu nunca vi”, disse.

Outra estratégia de Marli é pesquisar preços em diversos supermercados e comprar os produtos mais baratos em cada um. Nesse sentido, ela apontou ser importante saber os dias de promoções nos estabelecimentos, para economizar. Além disso, deixou a preferência por marcas de lado e, agora, adquire sempre a mais em conta.

O aposentado Odair Vivan, de 70 anos, também passou a trocar as marcas de costume — ao menos algumas — pelas de menor preço. Ele, igualmente, substituiu mercadorias por outras opções. Porém, às vezes, determinados itens, como a muçarela, estão caros que acabam ficando fora do carrinho de Vivan. “Só se for muito necessário, como para usar no preparo de um prato específico”, mencionou. Assim como Marli, ele percebeu alta geral nos preços. E não escondeu sua indignação com esse cenário. “Não sei como as pessoas mais humildes, que têm salário mais baixo, estão conseguindo viver”, comentou.

Jornal Cruzeiro do Sul

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