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Nível de represa está abaixo do esperado. Fernando Dini alerta para o problema

A Votorantim Energia admitiu ontem que o volume de água da represa de Itupararanga está “um pouco abaixo do esperado para esta época do ano”, porém, garantiu que não há risco para o abastecimento público.

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba informou que não está previsto racionamento de água no município da parte abastecida por Itupararanga e que não recebeu qualquer determinação ou recomendação do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) para que o volume de captação, que é de 1.980 litros de água por segundo, seja diminuído.

Moradores e pessoas que trabalham na região de Itupararanga afirmam, no entanto, que o manancial está muito afetado pela estiagem e que perdeu aproximadamente 30 metros de margem.

O alerta também já havia sido feito pelo vereador Fernando Dini (PMDB) que, inclusive, questionou a prefeitura se existe um plano de emergência caso o período de seca permaneça. “Vamos cobrar novamente um posicionamento para evitar que Sorocaba corra o risco de sofrer com a falta d´água”, diz.

O prefeito de Votorantim, Erinaldo Alves da Silva (PSDB), disse, em entrevista na rádio Ipanema, anteontem, que Itupararanga está com um pouco menos de 1/3 do reservatório. De acordo com ele, sua constatação foi feita por “olhômetro”, em visita realizada na semana passada. Segundo Erinaldo, a água está 10 metros abaixo das comportas, o que significa um “sinal amarelo” para a região. 

Morador da região de Itupararanga há mais de 30 anos, José Caccia Neto disse que nunca viu a represa tão seca. De acordo com ele, todos os dias o volume de água baixa e é visível. A situação, inclusive, secou os poços de água de sua casa e ele tem que caminhar mais de 100 metros para buscar água na represa. “Tá bem baixa a represa e tá faltando água no poço. Ele secou, só que tem um pouquinho que dá pra beber. Mas pra lavar roupa tem que buscar lá em baixo com tamborzinho”, explicou. 

Caccia relembrou que a represa também secou bastante há 15 anos, aproximadamente, entretanto não chegou ao nível tão crítico como o atual. De acordo com ele, as chuvas que caem na Serra de São Francisco, geralmente no final de setembro, não resolveram o problema neste ano. “Foram duas chuvas apenas que nem molharam direito. Antes, no final de setembro começava a chover e resolvia o problema.”” 

Segundo José Caccia Neto, seu filho também utiliza a água de Itupararanga para pescar, com auxílio de redes. Ele acrescentou que a seca ainda não prejudicou a pescaria, já que a represa nunca deu muito peixe. Caccia disse que ali é possível pescar tilápia, traíra e bagre com mais facilidade; enquanto que carpa, pacu e piau são mais difíceis. “A gente pega pouco peixe, só que o peixe é bom e sadio.” 

A esposa dele, Aparecida Gonçalves Caccia, disse que a última estiagem também secou os poços. “Pra mim já tá abaixo da metade”, resumiu ela, ao comentar o nível da represa. 

O secretário executivo da área de acampamento da ACM, Francisco José Ribeiro, disse que a estiagem já afetou 30 metros da margem e que apenas uma das três rampas de barcos permanece dentro da água. “Tá vendo ali, a água passa por cima da mureta e olhe onde está agora”, comentou. 

Ribeiro disse que em 1995 uma outra estiagem afetou Itupararanga e a situação ficou ainda pior do que está hoje em dia. Porém, ele observou que naquela época existia previsão de chuva, situação que não está ocorrendo atualmente. “Tem água hoje em dia, mas podemos ter dificuldades se não vier chuva”, citou, ao comentar o abastecimento de água. 

Ele indicou que a estiagem não afetou o volume de visitantes aos finais de semana, já que a represa recebe um grande número de pessoas. “Sorocaba é privilegiada com a qualidade desta água. Só que se não tiver controle, isso aqui pode se tornar uma Billings (represa de São Paulo) futuramente”, previu, ao citar o desmatamento nas margens, as queimadas de agricultura e a construção de condomínios como fatores que podem prejudicar a qualidade da água no futuro. 

Preocupação 

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que informará a população com a antecedência necessária, para que as pessoas possam se preparar e se programar convenientemente, caso exista a necessidade da implantação de rodízio de abastecimento no restante da cidade, a exemplo do que ocorre na região do Éden, Cajuru, Aparecidinha e Iporanga, que são abastecidos pela represa do Ferraz. 

O Saae informou que a direção da autarquia está preocupada com a situação atual, devido à falta de chuvas, às altas temperaturas e o aumento do consumo de água e se reuniu mais uma vez com os responsáveis pelas operações de Itupararanga, a Votorantim Energia. De acordo com a autarquia, a Votorantim Energia novamente reiterou que o abastecimento público está garantido, mesmo com os baixos níveis da represa. 

O Saae explicou que a outorga que possui do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) possibilita a captação de 1.980 litros de água por segundo em Itupararanga. “Até este momento, não recebemos qualquer determinação ou recomendação do Daee para que esse volume seja diminuído, e desta forma a autarquia prossegue fazendo a captação do volume a que tem autorização”, explicou a nota. 

Sem riscos 

A Votorantim Energia, que gerencia a represa de Itupararanga, disse, por intermédio da assessoria de imprensa, que o nível está um pouco abaixo do esperado para a época do ano, porém não há risco para o abastecimento público ou para a geração de energia.

Fonte: Wilson Júnior/ Jornal Cruzeiro do Sul

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