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A história do movimento nacional Diretas Já

O movimento Diretas já completou 30 anos em 2014 e o vereador Fernando Dini (PMDB) teve aprovado a moção de aplauso que fez, na Câmara Municipal de Sorocaba. Saiba mais sobre a história do Diretas Já.

                       1.         Diretas Já foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 19831984.

A possibilidade de eleições diretas para a Presidência da República no Brasil se concretizou com a votação da proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso. Entretanto, a Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada, frustrando a sociedade brasileira. Ainda assim, os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro do ano seguinte quando Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.1

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Passeata no centro de São Paulo, em 16 de abril de 1984. Foto: Jorge H. Singh.

                        2.         A idéia de criar um movimento a favor de eleições diretas foi lançada em 1983, pelo então senador Teotônio Vilela no programa Canal Livre da TV Bandeirantes.

 

                        3.         A primeira manifestação pública a favor de eleições diretas ocorreu no recém emancipado município de Abreu e Lima,2 em Pernambuco, no dia 31 de marçode 1983. Organizada por membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) no município, a manifestação foi noticiada pelos jornais do estado. Foi seguida por manifestações emGoiânia, em 15 de junho de 1983 e em Curitiba em novembro do mesmo ano.

                        4.         Posteriormente, ocorreu também uma manifestação na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, no dia 27 de novembro de 1983 na cidade de São Paulo. Com o crescimento do movimento, que coincidiu com o agravamento da crise econômica (em que coexistiam inflação,1 fechando o ano de 1983 com uma taxa de 239%, e uma profunda recessão), houve a mobilização de entidades de classe e de sindicatos. A manifestação contou com representantes de diversas correntes políticas e de pensamento, unidas pelo desejo de eleições diretas para presidente da República.3

 

                        5.         A repressão aumenta, mas o movimento pela liberdade não retrocede e os democratas intensificam as manifestações por eleições diretas. Na televisão, o general Figueiredo classificava como ‘subversivos’ os protestos que começavam a acontecer em todo o país.

 

                        6.         No ano seguinte, o movimento ganhou massa crítica e reuniu condições para se mobilizar abertamente. E foi em São Paulo que a investida democrata ganhou força com um evento realizado no Vale do Anhangabaú, no Centro da Capital, em pleno aniversário da cidade de São Paulo – dia 25 de janeiro. Mais de 1,5 milhão de pessoas se reuniram para declarar apoio ao Movimento das Diretas Já. O ato é liderado por Tancredo NevesFranco MontoroOrestes QuérciaFernando Henrique CardosoMário CovasLuiz Inácio Lula da Silva e Pedro Simon, além de outros artistas e intelectuais engajados pela causa.3

 

                        7.         A essa altura, a perda de prestígio do regime militar junto à população era grande. Militares de baixo escalão, com seus salários corroídos pela inflação, começavam a pressionar seus comandantes – que também estavam descontentes.

Lideranças e Personalidades

Protesto parte das Diretas Já em São Paulo em 16 de abril de 1984.

                        8.         O movimento agregou diversos setores da sociedade brasileira. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, além de lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantes e jornalísticas.

 

                        9.         Dentre os políticos, destacaram-se 

Tancredo Neves

Leonel Brizola

Miguel Arraes

José Richa

Ulysses Guimarães

André Franco Montoro,

Dante de Oliveira

Mário CovasGérson Camata

Orestes Quércia

Carlos Bandeirense Mirandópolis

Luiz Inácio Lula da Silva

Eduardo Suplicy

Roberto Freire

Luís Carlos Prestes,

 Fernando Henrique Cardoso,

 Vander Ramos

Marcos Freire

Fernando Lyra

Jarbas Vasconcelos 

 

e dentre personalidades em geral destacaram-se:

 Sócrates (futebolista),

Christiane Torloni

Mário Lago

Gianfrancesco Guarnieri,

 Fafá de Belém

Chico Buarque,

 Martinho da Vila

Osmar Santos

Juca Kfouri entre outros.

 

 

Comícios

A cantora paraense Fafá de Belém participou ativamente no movimento das Diretas Já a partir do comício de 16 de Abril de 1984. Fafá se apresentou gratuitamente em diversos comícios e passeatas, cantando de forma magistral e muito original, de entre outros temas, o “Hino Nacional Brasileiro“, gravado no seu álbum Aprendizes da Esperança, lançado no ano seguinte. A célebre interpretação diante das câmeras para uma multidão que clamava pela redemocratização do país foi muito contestada pela Justiça, mas ao mesmo tempo foi ovacionada e aclamada pelo público. A partir daí, Fafá passou a ser conhecida como a “Musa das Diretas”. Numa entrevista dada ao jornal Folha de S. Paulo em 2006, Fafá declarou que Montoro e outros políticos do PMDB não queriam sua participação no movimento e que ela só passou a se apresentar por insistência de Lula. Na mesma entrevista, Fafá declarou ter sido muito próxima a políticos do PT, mas que sua relação com estes se definhou após ela ter declarado seu apoio a Tancredo Neves, a cuja candidatura o partido se opôs.4 Fafá foi de suma importância para o comício realizado em 10 de abril de 1984, pois foi ela quem conseguiu fazer com que Dante de Oliveira subisse ao palco do evento, alegando para os policiais presentes que ele era o percussionista de sua banda.5

 

Eleito pelo PMDB em 1982 e empossado em 1º de fevereiro de 1983, o deputado federal Dante de Oliveira empenhou-se em coletar as assinaturas para apresentar o projeto de emenda constitucional que estabelecia eleições diretas (170 assinaturas de deputados e 23 de senadores). No dia 2 de março de 1983 finalmente apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 5.3

Em 25 de abril de 1984, sob grande expectativa dos brasileiros, a emenda das eleições diretas foi votada, obtendo 298 votos a favor, 65 contra e 3 abstenções. Devido a uma manobra de políticos aliados ao regime, não compareceram 112 deputados ao plenário da Câmara dos Deputados no dia da votação.3 A emenda foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos para a sua aprovação.1

Às vésperas da votação, o Distrito Federal e alguns municípios goianos foram submetidos às Medidas de Emergência do Planalto. No dia 25, houve no final da tarde, um blecaute de energia em parte das regiões sul e sudeste do País, causando apreensão na população que esperava acompanhar a votação pelo rádio. O apagão durou cerca de duas horas e foi, segundo a Eletrobrás (empresa estatal que controlava todo o sistema elétrico nacional na época), causado por problemas técnicos na rede de transmissão.1 Em Brasília, tropas do Exército ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios e posicionaram-se também em frente ao Congresso Nacional. Oficialmente estariam ali posicionados para proteger os prédios públicos de atos de desobediência civil. Para a oposição, estes fatos foram mecanismos intimidatórios aplicados pelo governo militar para evitar possíveis surpresas na votação.

Percebendo-se que o poder mudaria de mãos em pouco tempo, iniciou-se um período de mudança de partidos entre parlamentares e políticos em geral. Muitos, que eram convictamente de situação, repentinamente iniciaram uma campanha ferrenha contra a ditadura militar. Essa dissidência era liderada principalmente pelos insatisfeitos do PDS (Arena), que não conseguiram indicar seu candidato para a sucessão por via indireta e não concordavam com a candidatura de Paulo Maluf. Entre os insatisfeitos estavam José Sarney e Aureliano Chaves (Vice Presidente).1Conseguiram fazer de José Sarney, então “cacique” do PDS, o novo Presidente do Brasil, após a morte de Tancredo Neves. Dava-se continuidade, assim, ao exercício do poder pelos políticos do PDS/ARENA.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Para reprimir as manifestações populares, durante o mês de abril de 1984, o então presidente João Figueiredo aumentou a censura sobre a imprensa e ordenou prisões, ocorrendo violência policial. Apesar da rejeição da Emenda Dante de Oliveira na Câmara dos Deputados, o movimento pelas “Diretas Já” teve grande importância na redemocratização do Brasil.1 Suas lideranças passaram a formar a nova elite política brasileira e o processo de redemocratização culminou com a volta do poder civil em 1985 na aprovação de uma nova Constituição Federal de 1988 e com a realização das eleições diretas para Presidente da República em 1989.

 

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